La Casa de Papel - Crítica


Olá pessoal, tudo bem? Aqui é o Gustavo do canal A Cantina.

Vamos falar da série mais comentada do primeiro semestre desse ano: La Casa de Papel. A série espanhola sobre um dos roubos mais bem arquitetados da cultura pop, que fez um enorme sucesso aqui no Brasil, trazendo personagens interessantes, diversas reviravoltas, uma trama de deixar apreensivo quem assiste. Mas será que a fama da série está de acordo com a qualidade dela? Isso é o que iremos concluir hoje.



A série se trata de um roubo megalomaníaco à Casa da Moeda da Espanha, que traz uma solução totalmente inovadora e impressionante: imprimir o próprio dinheiro, fazendo dele um crime quase sem vítimas, combatendo diretamente o sistema financeiro de um país, ao invés de roubar diretamente de alguém. O plano foi arquitetado por um personagem que conhecemos como Professor (Álvaro Morte), que montou uma equipe com oito pessoas, cada uma com uma habilidade diferente, conhecidas por codinomes com nomes de cidades famosas: Tóquio (Úrsula Corberó), Nairobi (Alba Flores), Berlim (Pedro Alonso), Rio (Miguel Herrán), Denver (Jaime Lorente), Moscou (Paco Tous), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García); e durante a ocupação da Casa da Moeda acompanhamos o desenvolver do plano, além de por operações em prática, vemos a interação quase explosiva entre os personagens, tanto entre os assaltantes, como entre os reféns, e também tem o lado de fora, onde o Professor toma conta de tudo e fica de olho na operação da polícia , liderados pela inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño).


Foi originalmente transmitida pela TV espanhola no canal Antena 3, exibida em 15 episódios entre maio e novembro de 2017, mas a série foi comprada pela Netflix, reeditada e dividida em duas partes, sendo a primeira com 13 episódios, colocada no catálogo em 25 de dezembro, e a segunda com 9 episódios, que entraram no catálogo em 6 de abril.

Pra uma série curta com proposta simples, ela é meio longa e dá algumas voltas. O primeiro episódio mostra o começo de tudo e o último como encerra o plano, mas pra chegar lá, temos que passar por 20 episódios que não evoluem muito e terminam com os personagens praticamente do mesmo jeito que começaram. Os episódios normalmente terminam com alguma tensão ou impasse entre os personagens, mas normalmente esses conflitos são resolvidos em 5 minutos do episódio seguinte, chega um certo ponto da série que isso deixa de nos preocupar, porque sabemos que os personagens dificilmente passam por um grande perigo. A série se mostra inteligente e calculista, o roteiro funciona como um grande tabuleiro de xadrez, onde cada movimento é friamente calculado, o desenvolver por parte do Professor parece genial, mas algumas horas é bem conveniente e tem uma certa forçada de barra pras coisas sempre darem certo pros bandidos. Por parte dos policiais, há certas evoluções em desvendar os mistérios do roubo, mas muitas vezes chegam à conclusões quando já é tarde demais para impedir qualquer ação, os policiais parecem até burros e incompetentes ao decorrer dos episódios.

Mas apesar de seus problemas, a série entrega uma boa química entre os personagens carismáticos e de personalidades fortes, essas personalidades acabam gerando os conflitos da série por serem impulsivos, inconsequentes e às vezes até egoístas, mas o grupo acaba sempre se mantendo unido apesar das desavenças, A série dá um background pros personagens principais e ao invés de apresentar as características dos personagens um a um, usam de flashbacks para explicar certa característica de cada. O uso do flashback também é para explicar pontos do plano, já que a série não entrega cada detalhe logo no primeiro episódio, primeiro a gente passa pela tensão de achar que algo vai dar errado, mas aí volta no tempo pra mostrar que tal conflito foi previsto e já havia um plano para combater; como já dito antes, muitas vezes é genial, como também é bem conveniente.


Apesar desse ar de inteligente e calculista, a série acaba se mostrando uma grande novela, por gerar  alguns conflitos que não levam a lugar nenhum, só pra deixar a série longa. A história poderia ser resolvida em 10 episódios, mas ela se estica com conflitos e dá muito tempo de tela pra romances, um deles até faz parte da trama e é crucial para que as coisas deem certo, mas outro é totalmente desnecessário, só tá lá pra dar uma cara de Bonnie e Clyde pro arco do casal. Alguns desses problemas podem pesar na recepção à série, mas ainda é uma série interessante que nos faz ter vontade de assistir tudo de uma vez, pois ela prende a atenção, nos diverte, nos deixa intrigados e a gente é vencido pela curiosidade apenas pra ver aonde isso tudo vai dar. O final pode até parecer um pouco óbvio, mas não é decepcionante e acaba no nível que a série manteve o tempo todo.

O personagem chave da série é o Professor, por ser o grande "herói", o cérebro e se arriscar sempre pra que tudo dê certo; a série começa vendendo a Tóquio como personagem principal, ela até é a narradora, mas com o passar dos episódios a importância dela vai diminuindo e acaba se tornando apenas uma peça na história; se destacam também o Berlim, por ser um personagem arrogante, egoísta e até machista, mas ganha nossa admiração por ser inteligente, idealista, justo e tomar as melhores decisões para o grupo; a Nairobi também se destaca por ser uma das personagens mais equilibradas do grupo, ela chega a bater de frente com o Berlim algumas vezes, mas não se torna em nenhum momento uma personagem inconsequente; e ganham nossa admiração Denver e Moscou por serem os mais complacentes do grupo, sempre buscando fazer o que é certo. A série dá muita atenção pra inspetora Raquel, nos simpatizamos por ela porque, além de ter grandes duelos intelectuais com o Professor, ela ainda enfrenta o próprio sistema policial, mas acabamos torcendo para os planos darem errados para não prejudicarem os bandidos, pelo quais nos simpatizamos mais. E o refém que acaba se destacando é o diretor da Casa da Moeda: Arturo Román (Enrique Arce), que é a personificação da pessoa idiota, um embuste, macho escroto, que se acha um revolucionário, planejando motins e fugas, mas sempre vão por água abaixo e sua pose de machão sempre afina quando se vê derrotado, difícil ver a série sem passar raiva com ele.


No geral é uma série boa, ela atinge a sua proposta, apesar das voltas que dá, ela pode não ser cansativa, se te atingirem com a trama e os conflitos, dificilmente será cansativa pra você. Ela é um pouco pretensiosa, mas não podemos negar o impacto que ela causou e o fandom que ela gerou. Dificilmente uma série (ainda mais uma não produzida por Hollywood) conseguiria gerar um impacto cultural dessa forma. Os desenvolvedores da série estão de parabéns, ela pode abrir portas para mais produções europeias e de língua latina para atingirem um sucesso mundial. Agora, nas mãos da Netflix, a série pode ir mais longe, apesar do plano inicial ser concluído já na segunda parte, a Netflix irá produzir uma terceira parte, programada para ser lançada no próximo ano. Se manterá os personagens ou abordará o mesmo tema, não sabemos, só nos resta aguardar e aproveitar a série, que dá pra assistir tranquilamente em menos de uma semana.

La Casa de Papel (La Casa de Papel, 2017)
Criado por: Álex Pina
Elenco: Úrsula Corberó, Itziar Ituño, Álvaro Morte, Paco Tous, Pedro Alonso, Alba Flores, Miguel Herrán, Jaime Lorente, Esther Acebo, Enrique Arce, María Pedraza, Darki Peric e Kiti Mánver.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

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